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Mapfre mobiliza rede de parceiros e promove empregabilidade de refugiados

Atualizado: 2 de Abr de 2019

Juntamente com o grupo Mulheres do Brasil e Instituto Techmail, companhia desenvolve capacitação, sensibiliza empregadores e contrata refugiados


O engajamento à causa do refúgio fomenta o networking entre empresas, instituições e profissionais e, por vezes, pode gerar novos negócios entre players do mercado. Em 2017, os caminhos da multinacional Mapfre e da organização não governamental Mulheres do Brasil se cruzaram e floresceram na capacitação de 30 refugiados e inserção de 24 pessoas em vagas de trabalho.


No Brasil desde 1992, a Mapfre é uma empresa de origem espanhola, especialista em prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro, de saúde e assistência. Com mais de quatro mil colaboradores no país, a companhia é signatária do Pacto Global da ONU e reconhecida pela promoção da sustentabilidade e diversidade em seu ecossistema. Foi a partir da diretoria de Recursos Humanos que começaram a se aproximar da causa do refúgio. Jisley Bontempo, gerente executiva, conta que essa sensibilização inicial com a causa tem raízes na política de diversidade da Mapfre.


“Nós temos um conselho de diversidade formado pelos pilares de gênero, etnia, LGBT, voluntariado, gerações e pessoas com deficiência. Dentro do primeiro segmento tínhamos contato com o grupo Mulheres do Brasil. Elas nos apresentaram o tema refugiado e fez muito sentido abraçar a causa. Acreditamos que ‘no diverso somos únicos’ e que quanto mais plurais formos, mais ideias e desenvolvimento teremos”, explica Jisley.


Cientes de que poderiam contribuir para a inserção dos refugiados no mercado de trabalho, Mapfre e Mulheres do Brasil encontraram no Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados (PARR) a base que precisavam para dar os primeiros passos. Juntos, perceberam que primeiramente o público precisaria ser capacitado, para entender mais do novo país, da cultura e idioma local. Para dar este suporte, buscaram o Instituto Techmail, que já havia se consolidado como referência pela formação de jovens em situação de vulnerabilidade social para atuação no mercado de seguros.


Foram abertas 30 vagas para a primeira turma de capacitação de refugiados. Vinte e seis pessoas se formaram e 24 foram efetivadas no mercado de trabalho. A Mapfre contratou sete destes aprendizes recém-graduados, sendo quatro angolanos e três congoleses.


“Os aprendizes são direcionados a diversas áreas da empresa. Conversamos e preparamos nossos gestores. Tivemos total abertura por parte deles e, de maneira geral, o programa de aprendizagem é muito bem visto. Os gestores os adotam como mentores para que sejam desenvolvidos”, conta Jisley.


Francesco Kabwit deixou sozinho a República Democrática do Congo em 2014, quando ainda tinha 17 anos. O pai está refugiado em outro país africano e a mãe mora na França com os irmãos. No primeiro ano no Brasil, Francesco morou em um abrigo. Com o apoio do PARR, foi encaminhado para o curso do Instituto Techmail e contratado como aprendiz por seis meses na Mapfre. Após excelente desempenho, o congolês foi promovido e hoje atua como auxiliar de operações no setor de emissão de seguros.


“No começo foi um pouco difícil me adaptar, mas fui muito bem recebido aqui. A cada dia aprendo mais novas coisas. Quando vivia com a minha família, eu não precisava trabalhar. Mas quando me mudei, precisei ser independente. Ter um emprego é muito importante na vida de um jovem refugiado. Hoje, moro sozinho, pago a minha faculdade. Minha vida melhorou bastante”, relata Francesco, que estuda Relações Internacionais na Uninter e pretende trabalhar com a causa de refugiados quando terminar a graduação.


Além da contratação interna, Mapfre e Mulheres do Brasil também promoveram três eventos com o objetivo de sensibilizar outras empresas. Reuniram mais de 100 representantes da área de recursos humanos para compartilhar a experiência e promover a causa. “Poucas empresas estão preparadas ou dispostas. Ainda há muito desconhecimento em relação à legislação desse processo. Para nós, foi um despertar. Percebemos que poderíamos ajudar e resolvemos fazer a nossa parte”, ressalta a gerente.


Em 2019, a empresa pretende retomar o projeto e lançar um Conselho de Diversidade, que se chamará Grupo ID.



Rede de apoiadores é fundamental para sucesso da causa


Eliane Franco Figueiredo é uma das fundadoras do grupo Mulheres do Brasil e conta que com o crescente número de refugiados no país, o grupo decidiu criar essa nova frente de trabalho. Segundo ela, para começar, precisaram juntar pessoas e instituições com expertises diferentes e complementares. Durante o processo, identificaram que a ONG teria um papel de catalisadora.


“Inicialmente, pensamos em trabalhar com os refugiados as temáticas de saúde, educação e trabalho. Mas percebemos que saúde e educação formal eles conseguem ter acesso igual a qualquer brasileiro. Para fazer a diferença, precisávamos focar em capacitação técnica e abrir oportunidades de trabalho, que trazem dignidade, moradia e alimento. Pelo próprio DNA do nosso grupo seria mais fácil abrir algumas portas, explica Eliane.


Além do trabalho voluntário exercido na ONG, Eliane tem uma consultoria de recursos humanos e conta que por dois anos teve uma refugiada trabalhando como assistente administrativa no negócio.


“Conto nos dedos da mão quantas vezes ela faltou, estava sempre disposta. Os refugiados valorizam muito a oportunidade. As empresas, hoje em dia, querem trabalhar o engajamento e essas pessoas realmente se engajam. Eles têm muito talento, não estamos fazendo caridade.


Eles oferecem retorno para a empresa e nós temos a chance de trazer dignidade para estas pessoas que estão aqui por necessidade e não por opção”, destaca.