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Hospital Einstein promove cursos de português e contrata pessoas refugiadas afegãs

Atualizado: 20 de out. de 2023

26/9/2023

Por Karine Wenzel


Almoço da diretoria com funcionários refugiados. Foto: Einstein

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, tem se destacado na inclusão de pessoas refugiadas por meio de diversas iniciativas, incluindo cursos de capacitação em tecnologia, programa de aprendizado de português e atividades de sensibilização. Atualmente, a instituição emprega 53 funcionários e funcionárias refugiadas, provenientes de países como Venezuela, Angola, Afeganistão e Haiti e que atuam principalmente no setor operacional e corporativo.


A trajetória do hospital nesse compromisso se intensificou em 2021, através do pilar "Etnias" do Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão. “A formação e a empregabilidade de pessoas refugiadas sempre foi um compromisso institucional, e esse é um programa transversal e apoiado pela alta liderança. Afinal, está no DNA do Einstein, somos uma organização que nasceu da contribuição da comunidade judaica à sociedade brasileira pela acolhida no momento do pós-guerra”, explica Priscila Surita, superintendente ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) do Einstein.


Auria é uma das colaboradoras. Foto: Arquivo pessoal

Para alcançar a população refugiada, desde o início do programa o hospital atua em parceria com organizações da sociedade civil, como o Instituto Adus, Estou Refugiado, Compassiva, Casa de Assis e Visão Mundial. Em 2022, por exemplo, elaborou junto à Toti Diversidade um curso de ciência de dados. Foram capacitadas 26 pessoas refugiadas e migrantes e 13 foram contratadas. Uma delas foi Auria Manuela. A angolana trabalhava como auxiliar de cozinha na instituição desde 2021 e neste ano assumiu o novo cargo como Analista de Informações Gerenciais Jr. “A maior dificuldade é entender que você está em uma realidade diferente, que não é mais o seu país. Mas a gente tem muitas oportunidades na vida e precisa aproveitar. Enquanto você tiver uma porta aberta, você deve tentar e dar o seu melhor”, conta Auria, em vídeo gravado pelo Einstein.


Também em 2022, em conexão com a Casa de Assis, o Einstein realizou oficinas de entrevistas de emprego para pessoas refugiadas e migrantes em situação de vulnerabilidade, auxiliou na elaboração de currículos e mapeou potenciais candidatos para atuar no hospital.

“Deixei tudo para trás, mas aqui consigo ver um grande futuro para mim”


Diante do agravamento da situação no Afeganistão, a equipe do Einstein resolveu expandir sua atuação e começou a pensar em soluções para apoiar essa população no Brasil. A sensibilização levou a ações concretas e, em parceria com a ONG Estou Refugiado, desde maio de 2023, está oferecendo um curso de português para 20 pessoas, principalmente, afegãs. Com duração de um ano, o programa engloba os níveis básicos do idioma por meio de aulas presenciais e gratuitas. “Essa ação instrumentaliza a pessoa para que ela consiga se comunicar no dia a dia e que tenha possibilidade de realocação laboral no Brasil. Os alunos são muito dedicados, não faltam às aulas. E assim damos a oportunidade para que outras empresas possam contratar pessoas afegãs que já estão estudando português”, comenta a superintendente.

Curso de português. Foto: Einstein

Em paralelo a isso, o Einstein começou a contratação de profissionais afegãos. Fatima é uma das funcionárias afegãs que atuam no hospital. Ela conta que desembarcou no Brasil em outubro de 2022, acompanhada da mãe idosa. Como trabalhava para uma empresa norte-americana, ficou com muito medo de retaliações.


“O Talibã começou a perseguir principalmente as pessoas que trabalhavam com empresas americanas. Em 2016, inclusive, eu estava na Universidade Americana do Afeganistão [em Cabul] quando o prédio foi atacado pelo Talibã. Quando eles começaram a perseguir as pessoas, pesquisei muito para onde poderia ir e foi o momento em que o governo brasileiro abriu as portas aos afegãos afetados pela situação política no Afeganistão. Nem sabíamos a língua que falavam no Brasil, mas decidimos vir para cá para garantir a nossa segurança”, conta.


Quando elas desembarcaram no país, ficaram dois dias no aeroporto de Guarulhos e depois foram encaminhadas a abrigos da cidade. Desde que chegou, Fatima tem se dedicado a aprender português, fazendo cursos on-line no YouTube, no Senac e em outras instituições. Com o apoio da ONG Estou Refugiado, construiu seu currículo e apenas dois dias depois foi chamada para uma entrevista de emprego no Einstein. Mesmo com experiência de trabalho em Recursos Humanos e Administração e MBA em Operações e Logística, foi contratada em abril de 2023 na área de Tecnologia da Informação (TI). O setor de Recursos Humanos conversou com ela para entender mais sobre suas experiências e viu que ela poderia atuar nesta área, até porque a comunicação naquele setor poderia ser em inglês, o que facilitaria a adaptação de Fatima na empresa.


“Quando vim para o Brasil a minha vida começou do zero. Deixei tudo para trás, minha família, amigos, trabalho e minhas esperanças para o futuro e para o meu país, o Afeganistão. Aqui eu consigo ver um grande futuro para mim, onde posso ter acesso à educação, ao trabalho e aos direitos civis básicos. Meus sonhos estão se tornando realidade. Estou muito satisfeita com meu trabalho e a empresa e sou muito grata ao Einstein por acreditar em mim e me dar a oportunidade de provar meu valor nesta função”, conta, emocionada.


Acompanhamento constante e envolvimento de diversos setores


O compromisso do Einstein com a inclusão não se limita apenas à contratação, já que o acompanhamento constante e o envolvimento de diversos setores também se fazem presentes. O Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão promove reuniões trimestrais com os contratados para garantir que se sintam acolhidos. Além disso, são realizadas rodas de conversa e reuniões bimestrais com os gestores para entender seus desafios e compartilhar experiências.


“A gente ouve muito dos gestores sobre quanto as pessoas refugiadas são dedicadas ao trabalho e como são gratas de fazer parte do projeto. Além de quanto estão agregando para os times, com dedicação, e trazendo alegria para o ambiente de trabalho e ampliação da diversidade cultural”, finaliza Priscila.


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