Instituto Lojas Renner capacita refugiados para o mercado de trabalho

Atualizado: 1 de Abr de 2019

Programa profissionalizante formou 240 pessoas e empregou 35 refugiados no grupo varejista


Na tecitura de mais de 550 pontos comerciais espalhados pelo país, o grupo Lojas Renner S.A., signatário do Pacto Global, percebeu que poderia muito mais do que empregar 22 mil pessoas. Motivada pelo crescente número de migrantes em situação de refúgio no Brasil, a varejista decidiu se engajar à causa e repassar conhecimentos aqueles que foram obrigados a deixar sua terra natal. Em 2016, ao completar 51 anos de existência, a companhia, por meio do Instituto Lojas Renner, passou a oferecer cursos de capacitação a refugiados nas áreas de atendimento e vendas para o varejo e de modelagem e costura.


O programa de capacitação da Renner foi desenvolvido com apoio do Empoderando Refugiadas – projeto da Rede Brasil do Pacto Global, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e ONU Mulheres. Até agora, 35 participantes oriundos dos cursos já foram contratados, sendo 26 mulheres e nove homens de Angola, Colômbia, Haiti, Cuba, Guatemala, Montserrat, Congo e Venezuela. A empresa não possui vagas destinadas exclusivamente a refugiados. A contratação é uma consequência do contato dos alunos com as lojas, do destaque de alguns talentos e da qualificação recebida.


“O projeto de capacitação não iniciou com a intenção de contratação de refugiados, mas com a qualificação. Após as formações, aproveitamos para estimular a inserção deles no mercado, não só na nossa empresa, mas em outras também”, destaca Eduardo Ferlauto, Gerente de Sustentabilidade da Lojas Renner S.A. Os cursos oferecidos pelo instituto têm duração aproximada de dois meses e, além de profissionalizar, também englobam questões comportamentais como autoconfiança, cultura brasileira e trabalho em equipe.


Em 2016 e 2017, os cursos ocorreram na cidade de São Paulo. Já em 2018, estenderam-se para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O plano de expandir o projeto continua em 2019, quando a iniciativa chegará a Salvador. Um total de 240 pessoas da Venezuela, Cabo Verde, Guiné- Bissau, Colômbia, Nigéria, Haiti, Angola entre outros países africanos foram formadas pelo programa de capacitação da Renner.


Em São Paulo, a seleção para os cursos é feita por uma consultoria de recursos humanos especializada. A periodicidade de oferta é pautada na demanda. Além de preparar a pessoa para o mercado de trabalho brasileiro, Ferlauto avalia que a capacitação ameniza os impactos que poderiam ser sentidos pelos contratantes ao agregar estrangeiros ao time, visto que eles já chegam conhecendo um pouco mais da cultura local e do idioma.


“Imaginávamos que haveria algo desafiador quanto à aderência dessas pessoas ao quadro de funcionários, mas na prática isso não aconteceu. Os refugiados têm um potencial de entrega muito grande e se empenham de forma descomunal. As histórias de vida e a gratidão que sentem motivam muito as equipes ao redor”, destaca.



Do Congo para a sala de aula do Instituto Lojas Renner


Há pouco mais de dois anos no Brasil, Esthelle Misenga, 26 anos, é operadora de caixa na Camicado, marca de decoração pertencente ao grupo Lojas Renner. Ela deixou a Cidade do Congo por conta da perseguição política e formou-se no curso de capacitação em atendimento e vendas para o varejo do instituto.


Quando chegou a São Paulo, Esthelle sabia que o país passava por uma crise econômica, mas não desanimou. Demorou quase um ano para encontrar trabalho, mas durante este tempo, não ficou parada. Foi a partir do Empoderando Refugiadas que tudo começou a se desenrolar.


“O Empoderando Refugiadas foi muito importante na minha vida porque me ajudou com tudo: estudo, língua, trabalho, adaptação. Eles me indicaram os cursos e eu fiz. Depois participei de uma entrevista de trabalho, fui selecionada e comecei a trabalhar na Camicado. Estou há um ano e meio como operadora de caixa. Eu converso muito com os clientes, com a minha chefe e estou bem acostumada”, ressalta a congolesa.


Esthelle conta que não foi difícil se acostumar ao Brasil, porque as pessoas são muito receptivas e a trataram muito bem. “No primeiro dia de trabalho, a equipe tinha feito um bolo pra mim. Fiz amizade com as pessoas, somos como uma família. Eles são muito curiosos em saber sobre a minha cultura. Eles estão aprendendo muito também por trabalhar com uma pessoa de outro país”.


Atualmente, Esthelle está cursando Engenharia Civil na Universidade Paulista (Unip). Os pais e mais quatro irmãos continuam no Congo.

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