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Com contratação de pessoas refugiadas, Furukawa Electric recebe prêmio de responsabilidade social

25/08/2022

Por Karine Wenzel


Venezuelano Diego Ocampo trabalha na fábrica em Curitiba (Crédito: Divulgação)

O venezuelano Diego Ocampo cursou até o quinto semestre da faculdade de Línguas Modernas em seu país de origem, mas os estudos tiveram de ser interrompidos devido às dificuldades para se sustentar. Diante da crise socioeconômica na Venezuela, precisou buscar asilo no Brasil. Ficou nove meses em um centro de acolhida e integração em Roraima e passou por alguns trabalhos até conseguir uma entrevista de emprego na Furukawa Electric. A multinacional tem atividades nos segmentos de metais, telecomunicações, sistemas automotivos, energia, entre outros. No Brasil, a sede fica em Curitiba, no Paraná.


Naquela época, Diego ainda não se comunicava bem em português. Então, durante a entrevista online de emprego, a recrutadora da empresa permitiu que ele falasse espanhol. O processo seletivo deu resultado e, por meio da Operação Acolhida, resposta federal ao fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela para o Brasil (que tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados - ACNUR), Diego se mudou de Boa Vista para a capital paranaense.


“Eu nunca tinha trabalhado neste tipo de fábrica, não tinha nenhum conhecimento e eles falaram que não tinha problema, que iam me dar curso para aprender o trabalho. Uma das vantagens é que a empresa dá oportunidade para que trabalhadores possam crescer, aprender e se desenvolver, tanto no âmbito laboral como pessoal. Assim, nós podemos agregar ainda mais ao país e podemos ajudar outras pessoas refugiadas”, afirma.


Diego fez parte do primeiro grupo de cinco pessoas venezuelanas contratadas como operadores de máquinas pela Furukawa Electric Latam em 2021. Priscila Freire, analista de RH da empresa, lembra que tiveram que fazer adaptações nos processos seletivos para conseguir incluir as pessoas refugiadas que estavam em Roraima. Foi necessário fazer todas as entrevistas de forma online, reservar hotel para o primeiro mês deles na cidade, além de trazê-los sem os exames admissionais, pois só seriam realizados quando chegassem em Curitiba.


Assim como os demais trabalhadores que iniciam na companhia, durante o período de experiência, eles tiveram o acompanhamento de um “padrinho” - geralmente um funcionário com, pelo menos, cinco anos na empresa. Esse colaborador acompanha o novo colega nas atividades de rotina, apresenta a cultura da organização e auxilia nos treinamentos.


Com essas adaptações, desde 2021, a companhia contratou 21 pessoas refugiadas e migrantes, sendo a maioria venezuelanas, seguidas por haitianas e bissau-guineenses. Um deles é Benedito Icossoboc, que deixou Guiné Bissau para buscar tratamento para a filha, com um tumor cerebral, em Curitiba. Hoje, ele mora com esposa e três filhos no Brasil e decidiu ficar na cidade trabalhando na Furukawa, onde foi contratado em 2021. Benedito atuou por 19 anos como administrador escolar no país africano e não tinha conhecimentos do trabalho na indústria. Ele lembra que o apoio dos colegas e gestores foi fundamental neste processo: “Foi uma boa adaptação, agora já entendo a cultura da empresa e é muito bom poder interagir com os colegas”, define.


Prêmio global de Responsabilidade Social


Signatária do Pacto Global da ONU no Japão, a Furukawa conta com mais de 100 empresas afiliadas e laboratórios de desenvolvimento distribuídos pelo mundo. Anualmente, a companhia promove um prêmio global de Responsabilidade Social entre as afiliadas e, em 2022, a unidade brasileira foi a vencedora com seu Programa de Migrantes.


“Fizemos um projeto piloto, mas que agora se tornou um programa recorrente. Implementamos em nossa matriz e agora já ampliamos para outra unidade em Curitiba. É um programa muito valorizado. Nosso presidente, por exemplo, é do Irã, então a multiculturalidade já é algo enraizado na Furukawa. Esse programa demonstra a força da multiculturalidade e da diversidade. Foi um pontapé inicial, mas que trouxe ainda mais potência para esse tema na empresa”, reforça Caroline Almeida, líder da área de Recrutamento e Seleção.


A empresa, que é membro do Fórum Empresas com Refugiados, tem parceria com instituições e universidades para identificar candidatos refugiados e migrantes e auxiliá-los no processo seletivo. Para o futuro, a Furukawa quer expandir ainda mais o programa para as unidades e também incluir as pessoas refugiadas em outras funções e cargos, como no Programa Jovem Aprendiz.


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