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Churrascaria abre portas para iniciação de refugiados no mercado de trabalho em Manaus

Atualizado: 19 de Dez de 2019

Venezuelanos encontram oportunidade de primeiro emprego em restaurante familiar que já conta com seis profissionais em situação de refúgio



Jonathan Varela foi o primeiro colaborador refugiado da Gaúcho’s Churrascaria, que apesar do nome remeter ao sul, fica no bairro Adrianópolis, em Manaus, no norte do país. Natural de Caracas, Venezuela, o jovem de 33 anos está no Brasil há dois e começou a carreira profissional no Amazonas no restaurante onde trabalha até hoje como garçom. De lá pra cá, Varela já indicou outros compatriotas para vagas na churrascaria. Atualmente, 10% do quadro de funcionários da Gaúcho’s são formados por pessoas em situação de refúgio e o estabelecimento tem se tornado referência na contribuição à causa.


“O setor de alimentação fora do lar é conhecido por proporcionar o primeiro emprego de muitas pessoas, sejam refugiadas ou brasileiras. Uma agência aqui de Manaus nos procurou para oferecer currículos de refugiados, já que estávamos contratando. Avaliamos os candidatos, fizemos testes, treinamentos, buscamos informações sobre as questões documentais, [nos] preocupamos em regularizá-los. A contratação foi muito mais simples do que parece”, conta Paulo Ricardo Borges de Medeiros, diretor da churrascaria fundada por seus pais no ano de 1995.


O resultado positivo da experiência com o Jonathan abiu portas para outros refugiados ingressarem no restaurante em vagas de cumim (auxiliar de garçom), atendimento e garçom. A seleção de funcionários segue critérios iguais para estrangeiros e brasileiros. Independente da nacionalidade, o candidato precisa cumprir com os requisitos solicitados e estar apto à função. 


Se a pessoa tem a qualificação necessária, estamos sempre de portas abertas. Não contratamos ninguém por caridade. Estamos fazendo os procedimentos padrões. Os refugiados preenchem os requisitos como qualquer outro funcionário. Eles dão muito valor para isso”, explica Paulo.


Jonathan era um garçom experiente quando chegou ao Brasil, mas apesar da maturidade profissional, teve dificuldades em se adaptar aos costumes e, principalmente, ao idioma. A família e a filha de quatro anos ficaram na Venezuela e ele ajuda a sustentá-los. 


“O trabalho é uma das partes mais importantes da minha vida. Aqui na Gaúcho’s, meus colegas me ensinaram muita coisa, me acolheram, me ajudaram a acostumar e contribuíram com doações materiais. Tenho amizade com muitos deles. Quando comecei era difícil me comunicar, mas os clientes também sempre me trataram bem, me elogiavam” ressalta Jonathan, que pretende ficar no Brasil até a situação da crise humanitária da Venezuela melhorar.


A acolhida da rede de amparo ao refúgio 


O Amazonas tem sido o destino de milhares de refugiados que chegam ao Brasil pela fronteira da Venezuela todos os dias. De acordo com a Polícia Federal, atualmente há mais de 16 mil solicitações de refúgio de venezuelanos no estado. Manaus é a segunda cidade brasileira que mais recebe pessoas oriundas do país. A rede de apoio de pessoas em situação de refúgio é um importante ecossistema para a adaptação ao novo endereço. Jonathan é um exemplo ativo. Ao indicar colegas para trabalharem na churrascaria, conseguiu contribuir para que muitos deles pudessem sair dos abrigos, alugassem suas próprias moradias e alcançassem sua autossuficiência no novo país. Em decorrência, novos postos de acolhida foram abertos nos abrigos.


Por outro lado, a família Borges de Medeiros também exerce um importante papel nesta rede, não só pela contratação de pessoas, mas pela divulgação da iniciativa. Paulo é conselheiro da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e conta que a organização tem apoiado cada vez mais as contratações.


“A Abrasel está abraçando a causa aqui em Manaus. Já fui em diversos restaurantes como cliente e fui atendido por venezuelanos. Cabe a nós, como empresas, treinar, motivar e desenvolver essas pessoas”, afirma. Para Paulo, o legado dos refugiados na churrascaria vai muito além do trabalho diário. 


“Percebemos que a chegada dos refugiados deu uma mexida no clima da empresa, no bom sentido. Os funcionários observaram que eles entraram com muita vontade de trabalhar. Apesar de todas as dificuldades que estão passando, eles vêm com muita garra. Foram ótimos exemplos de motivação. Nós temos que dar esse gás aos colaboradores, mas os refugiados contribuíram muito com isso também”, comemora o diretor.